"Ele não se preocupa com o desenvolvimento da equipe... Centraliza as decisões... Despreza o know-how da equipe... É arrogante, diz palavrões... Não motiva a equipe... Pedi demissão por causa de meu chefe". Esses e diversos outros desabafos estão acessíveis no mundo virtual, em fóruns de discussão sobre os ambientes corporativos, por exemplo.
A má qualidade das relações já figura entre as principais causas de resultados negativos das equipes e tanto é que o maior índice de improdutividade no Brasil foi atrelado à falta de comunicação das altas hierarquias para baixo, segundo uma pesquisa da consultoria global Proudfoot Consulting. É uma mostra do quanto muitos líderes estão desconectados de seus times.
Oriento muitos profissionais que estão debilitados emocionalmente pela má relação com o chefe. Gostam do que fazem, estão satisfeitos com o trabalho, mas não suportam mais continuar no ambiente de trabalho. Em suas falas repete-se algo como: "O chefe é mal humorado, agressivo, injusto".
Somam-se aos problemas de relacionamento questões como a redução do quadro de funcionários e a cobrança por uma agilidade maior. As insatisfações só crescem e com elas as situações de estresse e menor produtividade. Os profissionais tendem a ficar mais submissos e dependentes frente às deficiências da liderança. Muitos chefes estão também perdidos no comando, têm de dar conta de equipes e resultados, a qualquer custo.
A questão é que muitos líderes podem até dispor de técnicas externas, mas não se apropriam do grande diferencial que pode fazer diferença frente a tudo isso e que está, na verdade, dentro de cada um. É só com a autenticidade consciente e equilibrada das atitudes que as ações podem se tornar muito mais eficazes, produzindo menos desgaste e proporcionando expertise para engajar e motivar pessoas. É por isso que defendo a necessidade de se despertar o Lado Interno da Liderança.
Não se trata de uma postura romântica e utópica, muito pelo contrário. A importância desse posicionamento é hoje reconhecida por uma das mais renomadas escolas de formação de líderes no mundo, a Universidade de Harvard. Há três anos, a instituição implantou um programa de formação que tem como pilar o desenvolvimento das Competências Emocionais - o Caminho da Liderança -, por justamente trabalhar o 'lado interno dos líderes'.
A postura de Harvard só vem embasar a relevância em se trabalhar a competência emocional. Gestores que lideram apenas com a cabeça e o ego não são líderes. Necessitamos integrar intelectualidade com o coração.
Pensemos, por exemplo, na importância da empatia. Significa entrar no lugar do outro para considerar o que ele está 'sentindo' e não apenas 'dizendo'. Mas para que isso se realize é necessário que antes o líder conheça e administre seus próprios sentimentos, caso contrário, a interpretação tenderá a ser sempre distorcida. Quando o líder não sabe se autoavaliar tende a atribuir as falhas ao liderado.
Portanto, urgente aos líderes é despertar o poder do seu lado interno, movendo equipes para que o mundo se torne um lugar melhor para se viver.
Heloisa Capelas
Diretora de Desenvolvimento Humano do Centro Hoffman







