Ao longo dos últimos anos, venho acompanhando os investimentos cada vez maiores - e extremamente louváveis - das empresas para elevar a qualidade do clima organizacional. São programas e benefícios como creches internas, bolsas de estudos, incentivo à prática de esportes, treinamentos, ações de integração, bônus, entre outros. Todos têm grande relevância e compõem um diferencial importantíssimo, mas apesar dos resultados positivos que refletem, eles ainda são obtidos por meio de uma 'troca'.
Observe: culturalmente, aprendemos a viver sob uma relação de 'compra' e 'venda' e, dessa forma, sem nos dar conta e automaticamente, fomos treinados a seguir como fazedores. "Vou estudar para ter uma boa profissão e um dia ser alguém", ou seja, vou 'fazer' para um dia 'ter' e depois 'ser'. É uma cultura na qual temos que ser produtivos. Retomando: precisamos 'fazer' para 'ter' e aí quando temos é que 'somos'. É um paradigma da atualidade e cada vez mais e mais presente.
É por isso que muitos funcionários só performam se recebem estímulo externo. Eles trabalham, obtêm o retorno dos incentivos e são bons profissionais. E os RHs têm buscado cada vez mais diferenciais para obter um colaborador comprometido. Precisamos urgentemente mudar nosso paradigma atual. Necessitamos despertar o Compromisso Interior do colaborador. Aquele que independe de recompensas externas e está enraizado nos valores, no engajamento inerente a si. Representa alterar o paradigma para: primeiro 'sou', depois 'tenho' e depois 'recebo'.
Em outras palavras, primeiro 'sou' uma pessoa comprometida, 'tenho' atitudes coerentes com minha postura e depois 'recebo' por isso; primeiro 'sou' líder, 'tenho' atitudes de líder e, consequentemente, 'obtenho' retornos. Um líder 'é' e não 'possui' uma liderança. São significados bem diferentes e é o que faz a diferença nos resultados. Tudo isso é para a vida: no trabalho, com a família, amigos e com a sociedade.
Para estabelecer essa inversão é, antes de tudo, necessário trabalhar o lado interior, o que guia as ações com autonomia - com consciência ativa - perante todas as decisões. Faz-se necessário um profundo exercício de conhecimento e apropriação de valores. Quando mudamos verdadeiramente por dentro, nosso comprometimento e qualidade de ações passam a ser intrínsecas. Não depende apenas de retorno externo para que o comportamento e a atitude mudem.
Por isso, o caminho está na capacitação interior, em despertar a consciência para o real engajamento consigo e com as atitudes sustentáveis para a vida profissional e pessoal, seja por meio de treinamentos ou ações específicas para acessar esse canal de comunicação.
Ao final, o profissional pode até mesmo descobrir que não está alinhado com a filosofia e missão da corporação e mudar de empresa, mas ambos - funcionário e corporação - saem ganhando.
Heloisa Capelas
Diretora de Desenvolvimento Humano do Centro Hoffman







